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Análise de funil: o que o GA4 e o mapa de calor mostram

10 minutos de leitura

Um funil mede quantos usuários completam uma sequência de passos que você definiu, e onde os outros param. Ele reporta contagem por passo, não motivo. O Google Analytics 4 monta isso como funil de exploração, e uma gravação de sessão explica um clique, não a contagem. Leia o relatório como gerador de pergunta, não como veredito.

O que um funil mede e o que ele não mede

Um funil responde a uma pergunta: dos usuários que entraram, quantos chegaram a cada passo que eu nomeei, na ordem. Todo o resto é outra pergunta usando os mesmos dados.

O que um funil responde bem:

  • Quantos usuários chegam a cada passo de uma sequência nomeada.
  • Onde está a maior queda entre dois passos.
  • Se uma mudança empurrou usuários mais adiante na mesma sequência.

O que um funil não responde:

  • Por que os usuários pararam. O relatório conta a parada e não a causa.
  • O que aconteceu com quem fez outro caminho. O funil só conhece a ordem que você deu.
  • Se a queda é atrito ou desinteresse. Os dois ficam idênticos numa contagem.
  • Se o passo que você nomeou é o passo que decide. Nomear é a sua suposição.
  • Qualquer coisa sobre um passo que você não adicionou ao funil.

Defina os passos antes de olhar o dado

O funil vale o que vale a sequência que você colocou nele. Defina os passos primeiro, a partir do produto, e só depois abra o relatório.

  • Escreva cada passo como ação que o usuário toma, não como página que você possui. “Concluiu o checkout” vale mais que “visitou /checkout”.
  • Nomeie a condição de entrada. Quem conta como entrou, e quando o relógio começa.
  • Mantenha a sequência curta. O Google Analytics 4 aceita até 10 etapas num funil de exploração, e funil curto é mais fácil de explicar.
  • Anote o que você espera de cada passo antes de rodar. A expectativa é o que transforma número em achado.

Como o GA4 monta o funil de exploração e o que as configurações escondem

O funil de exploração do GA4 aceita até 10 etapas e até 4 segmentos (funis do GA4), e você pode abri-lo ou fechá-lo. Essas duas configurações mudam o número na tela, e mudam em silêncio.

O usuário é contado apenas nas etapas que ele completou em sequência. Esse usuário entra no funil uma vez só, e o relatório mostra a primeira sequência.

A configuração de aberto e fechado é onde começa a maior parte das leituras erradas (funis do GA4). No funil aberto, quem começa na etapa B de um funil A, B, C aparece em B e em C. No funil fechado, esse mesmo usuário não aparece em etapa nenhuma. Quem completa A e C aparece em A nos dois casos. A configuração decide quem está no denominador, e o rótulo do relatório não diz isso.

Dois outros comportamentos ficam escondidos dentro do relatório.

  • A atribuição de detalhamento vai para a primeira ocorrência do valor, não para a última.
  • O cartão de próximas ações traz a entrada “(nenhuma próxima ação)” quando a dimensão é título de página (funis do GA4). A entrada diz que nenhuma próxima ação foi registrada para aquela dimensão, e ela não implica saída.

Duas definições viajam com o funil e mudam o que você conta.

  • Sessão engajada é a que dura mais de 10 segundos, ou tem evento chave, ou tem 2 ou mais visualizações de página ou tela (sessões engajadas).
  • Os limiares de dado são definidos pelo sistema e não podem ser ajustados (limiares de dado). Quando um limiar se aplica, o relatório omite linhas, e você não levanta esse limiar pela interface.

Amostragem, limiar de agregação e alta cardinalidade

Um funil é um agregado, e todo agregado tem um limite por baixo. Dois mecanismos cortam o dado antes de você ler.

O primeiro é a alta cardinalidade. Uma dimensão com mais de 500 valores únicos num dia transborda para a linha “(other)” (expectativas de dado da API). Caminhos de página, query strings e propriedades de usuário chegam nessa linha rápido. Quando “(other)” cresce, os passos visíveis perdem usuários que continuam reais.

O segundo é o limiar. O Google define o limiar de dado, e essa configuração não é sua para mudar. Um passo que parece pequeno pode ser pequeno só nas linhas que o relatório pôde mostrar.

A regra prática: confira a cardinalidade de toda dimensão do detalhamento antes de confiar na contagem de um passo. Uma dimensão com centenas de valores por dia reporta o resumo de um resumo.

O que gravação de sessão e mapa de calor mostram

Gravação e mapa de calor respondem a uma pergunta diferente da do funil. O funil diz onde os usuários pararam. A gravação mostra o clique, a pausa e o caminho que a contagem não mostra.

A Hotjar descreve a gravação como reconstrução (como funcionam as gravações (em inglês)). Ela captura o HTML inicial mais a árvore do DOM, e observa cliques, mouse, rolagem e digitação. A sessão encerra após 30 minutos de inatividade.

Os mapas de calor vêm em vários tipos (tipos de mapa de calor (em inglês)), e cada um lê uma camada diferente: clique, movimento, rolagem, zonas de engajamento e cliques de raiva. Clique de raiva é cinco cliques no mesmo elemento dentro de 500 milissegundos. A própria Hotjar avisa que carrossel pode gerar falso positivo, porque quem espera um slide pode clicar o mesmo controle cinco vezes sem frustração.

O funil da Hotjar é por sessão, com até 10 etapas de página vista, elemento clicado ou evento disparado (funis da Hotjar (em inglês)). Ele aceita filtros de sessão e até 5 comparações.

Onde gravação e mapa de calor enganam

As duas ferramentas documentam seus limites, e é justamente ali que os times tiram conclusões demais. A lista é longa, e vem dos próprios fornecedores.

Caixa preta no mapa de calor é lacuna da ferramenta. Trate como desconhecido, não como zero.

Atrito contra desinteresse

Uma queda no funil tem duas leituras possíveis, e cada uma pede correção oposta.

Atrito é o usuário que queria o passo e não conseguiu terminar. A gravação mostra o clique repetido, o retorno e o campo abandonado. O sinal de clique de raiva existe para esse caso, com a ressalva do carrossel acima.

Desinteresse é o usuário que leu o passo e saiu de propósito. Nenhum reparo de interface move esse usuário, e a gravação vai parecer calma.

O funil não separa os dois. Uma revisão curta de gravação separa. Assista cinco sessões que caíram no mesmo passo e procure clique repetido, volta de rolagem e pausa (por que cinco usuários bastam (em inglês)). Se as sessões parecem calmas, você tem problema de mensagem e não de layout.

Onde os artigos do NN/g divergem

Dois artigos da mesma publicação não concordam sobre quando uma espera precisa de indicador de progresso.

Response times: the 3 important limits (em inglês) marca um piso. Para operação de 2 a 10 segundos, o artigo diz que indicador de percentual pode ser exagero, e que mostrá-lo viola a inércia de tela do usuário. O indicador fica reservado para espera acima de 10 segundos.

Progress indicators (em inglês) chega a outra regra. O artigo reporta que o usuário fica mais satisfeito e espera mais quando o indicador é dinâmico, e não coloca piso nenhum na espera.

A divergência está na faixa de 2 a 10 segundos, que é onde caem quase todas as transições de página e envios de formulário. Leia os dois textos como argumentos sobre custo e sobre satisfação, não como uma regra única (NN/g, tempos de resposta (em inglês), NN/g, indicadores de progresso (em inglês)).

De achado para hipótese testável

Um achado é uma frase que pode estar errada. Escreva assim antes de tocar na página.

  • Enuncie a observação com o número: “38% dos usuários que chegaram à etapa 3 saíram antes da etapa 4”.
  • Enuncie a causa que você acredita, como afirmação: “o frete aparece só na etapa 4, e o usuário sai quando vê”.
  • Enuncie a mudança e a métrica: “mostrar a estimativa de frete na etapa 3 deve subir a conclusão da etapa 4”.
  • Enuncie o passo que você espera mover, e quanto. Previsão que pode errar é hipótese.
  • Mantenha as configurações do funil fixas no teste. Funil aberto e funil fechado não se comparam.

Depois rode o teste em uma mudança só, e leia o mesmo funil de novo com as mesmas configurações.

Privacidade e consentimento

As duas ferramentas tocam dado pessoal, e as duas publicam a posição delas.

A Hotjar afirma que é operadora e que o cliente é o dono do dado (perguntas de privacidade (em inglês)). Em todos os campos a digitação é suprimida, no lado do cliente, então a gravação mostra o campo e não o texto. Desde 2014 a Hotjar não coleta IP. Dado pessoal que o cliente envia continua passando, sem bloqueio. A API de identificação, de novembro de 2019, deixa o cliente amarrar um identificador a uma sessão, e é isso que liga a gravação a um usuário conhecido. O cabeçalho de não rastreamento também é respeitado.

No lado do GA4, os limiares de dado existem para proteger identidade (limiares de dado), e é também por isso que não podem ser ajustados. O estado de consentimento decide se a sessão é medida. Usuário sem consentimento fica de fora do funil, em vez de contar como queda.

Dois hábitos mantêm isso limpo.

  • Leia a documentação do fornecedor sobre retenção e identidade antes de ligar gravação numa página com formulário.
  • Documente o que você suprime, e confira se a supressão cobre os campos que você pensa que cobre.

Funil, gravação e mapa de calor são três leituras da mesma visita, e nenhuma delas é a visita. Use o funil para achar o passo, a gravação para ver o clique, e uma hipótese escrita para decidir o que mudar.

Uma nota relacionada está em o post sobre tamanho de amostra em teste A/B, que cobre como fixar a amostra antes de começar.

Fontes

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